Vai ser o que quando crescer?
Jul 27
Não me pergunte o que eu quero ser. Se me perguntar, eu vou dizer que quero ser alguém com uma casa perto da praia, um carro esportivo e uma internet decente e com um preço justo.
Desde pequena que professores pais e parentes adoram me perguntar o que eu quero ser, talvez eu pareça ter cara de quem não querer ser nada, por isso a preocupação deles.
Aos sete anos eu dizia que eu queria ser a Sandy. Ninguém me perguntava o porquê, era Sandy e pronto. Mas hoje em dia se eu falar que sou Sandy, eles vão entender que eu quero viver de música e não trabalhar.
Aos doze cheguei em casa dizendo que seria professora de português, só faltei matar o velho. Fez uma cara, parecia que eu tinha dito que queria ser hippie ou exercer a profissão mais antiga do mundo. Era um trabalho digno, mas que não dava grana, e segundo o meu pai, se não da grana, tira da lista.
Depois disse que seria advogada, mas sinceramente, converse uma hora comigo e perceberá que eu não tenho talento algum para defender alguém. Nem preciso dizer do seu Zé que é formado em direito e trabalha limpando a Rua 24 de Maio. Mas a família gostou, da status, da dinheiro né? Dane-se eu não gosto.
Comecei a fazer testes vocacionais e vinham sempre os mesmo resultados: Publicidade, Jornalismo, Cinema… Não vou ficar rica com nenhuma dessas carreiras.
Simples, eu tendo o meu dinheiro, o meu apartamento, e podendo me manter está tudo bem, eu quero fazer o que eu gosto, não acredito nessa de “ah eu vou acabar gostando”, porcaria nenhuma. Eu gosto de fotografia, de tecnologia, de música e de escrever, me diga a maldita profissão que envolva tudo isso e que me deixe todo final do mês com mil reais sobrando, e com uma dúvida cruel de como vou gasta-los.
Acredito que qualquer um pode ganhar bem com a sua profissão, basta ser o melhor de todos. Mas eu não vou ficar perdendo tempo da minha vida tentando ser a melhor.
Se me perguntarem o que eu quero ser, vou dizer que quero ser a Xuxa.


